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Notícias
 
10 de Março de 2010 - 09h43min
Lixão próximo a hospital público de Barbalha polui manancial
 

Um verdadeiro descaso com o meio ambiente. Essa é a realidade do lixão deste município, que reúne sérios problemas de localização, numa área a cerca de um quilômetro do Hospital Santo Antônio, referência na região, à beira da CE-060 e de um riacho, afluente do Rio Salamanca. Além disso, está dentro da Área de Proteção Ambiental (APA- Araripe), no limite urbano e no entorno da Floresta Nacional do Araripe (Flona), inserido na Bacia do Salgado.

Quem chega ao local, encontra facilmente lixo hospitalar, pessoas descarregando caminhões sem nenhum material de proteção e, o que é mais grave, ausência de fiscalização na área. O único aviso repreensivo se encontra numa placa improvisada, acima da cancela de entrada, dizendo ser proibida que pessoas entrem sem autorização. Aviso em vão.

A situação do lixão de Barbalha, praticamente sem o menor gerenciamento do poder público, pode ser vista sem muita dificuldade, mesmo aos olhos de um leigo. Questões que podem ser avaliadas pelos órgãos ambientais e o próprio Ministério Público. Segundo o chefe da Área de Proteção Ambiental (APA) e analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), Pedro Augusto Carlos Monteiro, já chegou a haver autuação, mas, até hoje, nada foi feio em relação ao lixão.

A secretária de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do município, Poliana Coimbra, afirma que vem sendo desenvolvido no município projeto de coleta seletiva de lixo, por meio de projeto aprovado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), além de orientar os catadores a usarem material de proteção para a coleta. Ela ressalta, ainda, que tem sido feito trabalho de conscientização, no sentido de evitar a entrada de pessoas que não estejam envolvidas com o trabalho de coleta.

Proteção - Na manhã da última segunda-feira, uma mulher ajudava a descarregar o caminhão de lixo da Prefeitura, sem nenhum material de proteção, vestindo apenas um short e camiseta. Os catadores de lixo da cidade ficavam olhando esse trabalho feito pelos outros catadores da associação, que faziam a coleta no momento em que retiravam o lixo de cima dos caminhões.

O catador Antônio Marcos de Oliveira afirma que está trabalhando no lixão há cerca de cinco anos. Em torno de 30 pessoas atuam na área que não chega a ser muito extensa, mas a cada dia que passa está avançando para o riacho, que deságua no Rio Salamanca.

"O chorume vai junto para o riacho, principalmente quando chove", diz o catador. E esse material tóxico é um poluente em potencial do lençol freático e das águas do rio. O próprio catador diz que se alguém caminhar mais um pouco, chega ao riacho, após a montanha de lixo. No local são descarregados, diariamente, cerca de nove caminhões. Pelo menos 30 toneladas de lixo.

Antônio Marcos admite que no local também vem sendo depositado lixo hospitalar. A secretária de Meio Ambiente admite que o lixo do Hospital São Vicente é administrado pela empresa Flamax, de Juazeiro do Norte, onde passa a ser incinerado, mas não soube afirma a respeito dos outros hospitais da cidade.

Segundo Antônio Marcos, foram cavados dois buracos na área, onde seria depositado o lixo hospitalar da cidade. Porém, afirma que isso não acontece, em nenhum dos dois, inclusive um deles está mais próximo do riacho. Afirma, apontando para uma montanha de sacos pretos, onde diz estar sendo jogado lixo hospitalar de Barbalha. As seringas e luvas estão espalhadas entre caixas de medicamentos, tubos de soro e colchões velhos.

Outras questões podem ser levantadas em relação ao lixão. Fica em frente a uma unidade industrial, há poucos metros da delegacia, e está numa estrada que leva aos principais pontos turísticos de Barbalha. O chefe da APA afirma que esse problema dos abandonos dos lixões pelo poder público acaba acontecendo em praticamente todos os municípios do Estado. "Ninguém quer assumir a responsabilidade", ressalta.

De acordo com Pedro Augusto, a própria coleta seletiva acaba não incentivando os catadores, principalmente por conta da captação e fluxo do material. Muitos catadores afirmam que não está compensando coletar o papelão para a venda, já que os custos estão muito baixos. A secretária Poliana afirma que essa situação será resolvida com a efetivação do Aterro Consorciado, que terá a participação de nove municípios da região. Ainda não foi divulgada data para o início do projeto.

Fonte: Diário do Nordeste



 
 
 
 
 
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