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05 de Fevereiro de 2010 - 21h34min
Ciro diz que PT usa aliados como “bucha de “canhão”

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) reafirmou nesta sexta-feira, em Recife, sua disposição em disputar a sucessão presidencial. Em entrevista na capital pernambucana, Ciro voltou a criticar a política de alianças do governo - que "mistura alhos com bugalhos, gato, sapato, galinha, pena, cachorro"- e acusou o PT de tratar aliados não fisiológicos como "bucha de canhão" e "chiqueiro de ovelha".
 

- Não tenho nada contra alianças, muito menos contra a do PT com o PMDB. A minha questão é outra: repito que tipo de cimento, quais são as bases dessa aliança de desiguais? Alhos com bugalhos, gato, sapato, ouro diamante, galinha, cachorro, pena, tudo misturado como estamos hoje? Para o quê? Para reformar o país? - afirmou Ciro ao desembarcar no aeroporto dos Guararapes.  “Quais são as bases dessa aliança de desiguais? Alhos com bugalhos?", perguntou.

 

- O PT acostumou a tratar os parceiros como bucha de canhão. Por exemplo, o PCdoB é feito de gato, rato e sapato. Hoje não tem direto a absolutamente nada - acrescentou ele, ressaltando que o mesmo não aconteceu com o PSB porque o presidente da legenda não permitiu. “O PT trata seus aliados como força subalterna, como chiqueiro de ovelha”,  completou.

 

E ratificou, mais uma vez, a intenção de manter a postulação à presidência: “Minha candidatura apresenta um projeto de futuro e uma proposta ética. Só se meu partido decidir, vou para casa, a firmou, lembrando que sua candidatura é uma proposta ética, de "limpeza moral e desenho de futuro".

 

Ciro disse, no entanto, que sua candidatura não é irreversível, mas assegurou que só o seu partido pode demovê-lo da ideia de disputar a sucessão presidencial: ”Irreversível só a morte”, afirmou o deputado, que se reuniu a portas fechadas com o governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB.

 

Na terceira entrevista do dia, Ciro voltou a críticar o PT. Ele disse que a legenda tem muitos cacoetes, não respeita os aliados não fisiológicos e acusou o ex-ministro José Dirceu de estar tentando meter-se em assuntos internos do seu partido.

 

Na quarta-feira, em entrevista na Câmara, Ciro insistira que iria se candidatar a presidente e criticou o presidente Lula por querer tornar a eleição plebiscitária entre a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Em resposta, o governo começou a pressionar o PSB , ameaçando dificultar as alianças regionais nas eleições.

 

Segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada esta semana, a pré-candidatura de Ciro à Presidência da República beneficia, neste momento, a candidatura de Dilma, pois a coloca em situação de empate técnico com Serra. Sem Ciro na disputa, Serra amplia sua vantagem sobre Dilma, mas a petista segue crescendo em qualquer cenário. No cenário com Ciro, Dilma alcança 27,8% da preferência do eleitorado. Já Serra tem 33,2%. Ciro, por sua vez, tem 11,9%.

 

Após tomar conhecimento das declarações de Ciro no final da tarde desta sexta, Eduardo Campos confessou a dois assessores que ficou se sentindo em "posição desconfortável" com o destempero verbal do companheiro de legenda. Mesmo assim, Campos tentou amenizar as declarações de Ciro, afirmando que divergências existem em qualquer partido. Em seguida, afirmou:

 

- Ciro tem esse jeito, uma forma clara e transparente. Quando sente uma coisa, coloca com muita clareza. É o estilo próprio, que nós respeitamos como ele respeita o meu estilo, que não é exatamente assim.

 

Mais cedo, os dois almoçaram e gravaram juntos o programa do PSB que vai ao ar no próximo dia 18. 

Fonte: Diário de Pernambuco



 
 
 
 
 
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